Santa Catarina adotou um conjunto inédito de medidas preventivas para enfrentar a iminente chegada do fenômeno Super El Niño. Com a assinatura do Decreto de Alerta Climático nº 1.530 pelo governador Jorginho Mello, todo o estado entra em mobilização antecipada por 180 dias. Atualmente, os meteorologistas apontam 80% de probabilidade de o fenômeno começar entre julho e agosto, com pico de intensidade na primavera de 2026.
Embora o decreto não configure situação de emergência ou calamidade pública, ele funciona como um “gatilho de preparação”. Na prática, a medida desburocratiza processos, permitindo que o Estado envie equipes antecipadamente para áreas vulneráveis, contrate máquinas pesadas de forma preventiva e compre itens de ajuda humanitária antes que os temporais aconteçam.
“Não estamos esperando o problema acontecer para agir. O decreto permite que o Estado esteja mobilizado, organized e pronto para responder rapidamente, reduzindo impactos e protegendo vidas”, destacou o governador Jorginho Mello.
Mapeamento de riscos em Jaguaruna
Em Jaguaruna, as ações para garantir o escoamento das águas já foram intensificadas. A Defesa Civil municipal, em conjunto com as secretarias de Obras e Agricultura, realiza uma força-tarefa de desassoreamento de rios e valas de drenagem em pontos estratégicos, como nos balneários Torneiro e Esplanada, além do Rio Capitão, Bairro Coloninha, Rio Central, Lagoa da Encantada e Garopaba do Sul. No centro da cidade, a limpeza do Rio Sangão está na fase final e seguirá em direção à Estrada de Ferro.
O coordenador municipal da Defesa Civil, Adriano Isaias, explicou que o foco é dar atenção às demandas urgentes para evitar alagamentos. “Limpeza de valas e rios já estão sendo feitas, mas agora com mais intensidade para garantir um bom escoamento caso a gente tenha chuva forte”, destacou Adriano, que também confirmou o envio do mapeamento das áreas de risco locais ao Estado e a realização de reuniões com forças de segurança e associações de moradores para alinhar o suporte comunitário.
Impacto no campo
A preocupação com o excesso de chuva atinge em cheio a economia de Jaguaruna, cujo PIB é majoritariamente agrícola. O fenômeno deve coincidir justamente com a fase inicial de implantação de culturas vitais para a região, como o arroz, a mandioca e a melancia. O engenheiro agrônomo e extensionista da Epagri de Jaguaruna, Emerson Evaldi, explica que nas áreas baixas os produtores de arroz já mudaram o planejamento, substituindo o plantio tradicional pelo sistema pré-germinado, utilizando sementes subsidiadas pelo Estado que resistem melhor a solos encharcados.
O alerta serve também para os cultivos de mandioca e melancia. Mesmo em solos arenosos, volumes extraordinários de chuva podem saturar o lençol freático e criar lagoas que apodrecem as raízes. A orientação da Epagri é que o produtor busque áreas mais altas, revise as valas internas de drenagem e evite investimentos arriscados, especialmente porque o setor da mandioca já enfrenta um cenário de preços baixos, com a tonelada cotada na faixa dos R$ 400.
“É um ano de a gente trabalhar com o pé no chão, com planejamento, olhar as áreas que vai plantar e fazer uso dos fertilizantes com bastante critério para evitar desperdícios e custos desnecessários”, alerta o engenheiro.





